sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A arte bizantina

Arte bizantina


 A arte bizantina, durante mais de um milênio, preservou e transmitiu a cultura clássica grega. Foi uma mistura de influências helênicas, romanas, persas, armênias e de várias outras fontes orientais. Com fases alternadas de crise e esplendor, a arte bizantina se desenvolveu do século V com o desaparecimento do Império Romano do Ocidente.
Quase sempre estreitamente vinculada à religião cristã, teve como objetivo principal exprimir o primado do espiritual sobre o material, da essência sobre a forma, e a elevação mística decorrente dessa proposição. O aspecto grandioso das figuras frontais, vigente nas primeiras obras da arte bizantina, deu lugar a formas que, embora ainda solenes e majestosas, mostravam-se mais vivazes e variadas.
A história da arte bizantina pode ser dividida em cinco períodos:
Período constantiniano: A formação da arte bizantina deu-se no período constantiniano, quando vários elementos se combinaram para dar forma a um estilo bizantino, mais presente nas criações arquitetônicas, já que pouco resta da pintura, da escultura e dos mosaicos da época.
Período justiniano: A primeira idade áurea bizantina foi o período justiniano. Das poucas obras de arte que restam do período, a mais notável é a "cathedra" de Maximiano, em Ravenna, recoberta de placas de marfim com cenas da vida de Cristo e dos santos. Da produção artística que medeia entre a morte de Justiniano I e o início da fase iconoclasta, destaca-se o artesanato em metais. O culto às imagens e às relíquias, por ser considerado idolatria de feição pagã, foi combatido pelos imperadores ditos iconoclastas, nos séculos VII e IX, quando foram destruídos quase todos os conjuntos decorativos e as raras esculturas da primeira idade áurea, principalmente em Constantinopla. Após Justiniano, as artes somente voltaram a florescer durante a dinastia macedoniana, depois de superada a crise iconoclasta.
(Os magníficos mosaicos da igreja de São Vital,
Ravenna, Itália, evidenciam o caráter hierático da arte bizantina.)




Período macedoniano: A segunda fase áurea bizantina, o período macedoniano inicia-se com Basílio I (867-886) e atinge o apogeu no reinado de Constantino VII Porfirogênito (945-959).
Por volta do século X, a decoração das igrejas obedeceu a um esquema hierárquico: cúpulas, absides e partes superiores foram destinadas às figuras celestes (Cristo, a Virgem Maria, os santos etc.); as partes intermediárias, como áreas de sustentação, às cenas da vida de Cristo; e as partes inferiores, à evocação de patriarcas, profetas, apóstolos e mártires. A disposição, colorido e apresentação das diferentes cenas variavam de modo sutil, para criar a ilusão de espaço e transformar em tensão dinâmica a superfície achatada e estática das figuras. Destacam-se, desse período, a escultura em marfim - de que existiram dois centros principais de produção, conhecidos como grupos romano e nicéforo -, o esmalte e o artesanato em metais, que atestam o gosto bizantino pelos materiais belos e ricos. A arte da iluminura atingiu um alto nível com o aparecimento de obras como o Octateuco, do século XII (Topkapi Sarayi, Istambul), que evidenciam a persistência da antiga decoração de cunho naturalista nas figuras de Adão e Eva; as Homilias de São João Crisóstomo (1078-1081, Biblioteca Nacional de Paris); e o Menologion de Basílio II (976-1025, Biblioteca do Vaticano), em que predomina o formalismo oriental. 

 Octateuco

Período comneniano: Marcada por uma independência cada vez maior da tradição, evolui para um formalismo de emoção puramente religiosa, que nos séculos seguintes servirá de modelo à arte bizantina dos Balcãs e da Rússia, que tem nos ícones e na pintura mural suas expressões mais elevadas.
Durante a dinastia dos Paleólogos torna-se evidente o empobrecimento dos materiais, o que determina o predomínio da pintura mural, de técnica mais barata, sobre o mosaico. Podem-se distinguir duas grandes escolas: a de Salonica, que continua a tradição macedoniana e pouco ou nada inova; e a de Constantinopla, iniciada por volta de 1300, mais cheia de vitalidade e originalidade, como se pode verificar pelos mosaicos e afrescos da igreja do Salvador, em Chora.
Estilo ítalo-bizantino: Partes da Itália foram ocupadas pelos bizantinos entre os séculos VI e XI, o que produziu o chamado estilo ítalo-bizantino, desenvolvido em Veneza, Siena, Pisa, Roma e na Itália meridional. A partir do ícone, pintores de gênio, como Duccio e Giotto, lançaram os fundamentos da pintura italiana. A influência bizantina repercutiu ainda em meados do século XIV, sobretudo na obra dos primeiros expoentes da pintura veneziana.



mosaico

Literatura
A literatura bizantina devirou-se da grega, é a que foi escrita em grego durante o período de 300 a 1453, data da queda de Constantinopla. Constantino o Grande fez da igreja cristã a guardiã da tradição cultural greco-romana, e de Constantinopla a metrópole para onde convergiram todas as atividades culturais. Com a decadência dos antigos centros do saber - Roma, Alexandria, Antioquia, Atenas a literatura bizantina adquiriu caráter metropolitano, cortesão e aristocrata, o que explica muitas de suas peculiaridades, como por exemplo o número e a solenidade dos discursos laudatórios ao imperador, considerado representante de Cristo na Terra, e os poemas sobre seus feitos gloriosos. Assim se explica também o uso de formas literárias e linguagem antiquadas, visando preservar não só o modo de falar do Novo Testamento e dos primeiros padres, mas também os modelos gregos do passado.
A mimese (imitação da natureza) tornou-se o princípio básico. O tradicionalismo salvou para a posteridade o melhor da literatura grega antiga. A despeito da incontestável superioridade da literatura bizantina sobre a ocidental do mesmo período, sua influência foi pequena, devido à ruptura nas tradições culturais do Ocidente, provocada pelas conquistas germânicas. Já sobre os povos da Europa oriental, especialmente os eslavos, essa influência se fez sentir claramente.

Teologia


 O florescimento da literatura teológica grega, nos séculos IV e V, deveu-se principalmente à oficialização da religião cristã e às grandes discussões entre professores heréticos, como Ário, Apolinário, Nestório e Êutiques, e os teólogos católicos, como Atanásio, opositor de Ário e criador do modelo para a hagiografia bizantina, com sua vida de santo Antão do Egito; Euzébio de Cesaréia, que escreveu a primeira história eclesiástica; e Leôncio de Bizâncio, o primeiro a introduzir definições aristotélicas na teologia. Contra os iconoclastas insurgiram-se João Damasceno e Teodoro Estudita. O biógrafo Fócio foi o primeiro a estabelecer as diferenças entre as igrejas do Oriente e do Ocidente. O imperador Leão VI o Sábio compôs poemas litúrgicos e homilias. Do século XIII ao último século do império, o combate à igreja do Ocidente monopolizou a atenção da maioria dos teólogos, como o imperador Teodoro II Lascaris, Gregório Palamas e Nilo Cabasilas (ambos do século XIV).


Poesia religiosa

 Os mais antigos exemplares são da autoria de Gregório Nazianzeno, do herético Apolinário de Laodicéia (século IV) e de Sinésio de Cirene (início do século V). O melhor da poesia religiosa bizantina são os hinos litúrgicos, cujo principal cultor foi o sírio Romanos (século VI).

História e outros gêneros
As obras históricas pertencem a dois grupos: as narrativas de acontecimentos contemporâneos ou pré-contemporâneos e as crônicas, breves recapitulações da história do mundo. Desde Constantino o Grande, a história do império era escrita principalmente por gregos: Eunápio, Olimpiodoro, Prisco, Malco e Zózimo, o último historiador pagão. A esse período pertencem também os continuadores da história eclesiástica de Euzébio: Gelásio de Cesaréia, Filipe de Side e Filostórgio. No século VI, a historiografia recebeu grande impulso com Procópio, Agatias, Teófanes de Bizâncio, Menandro, João de Epifanéia e Teofilacto Simocata. Várias obras históricas estão associadas ao nome do imperador Constantino VII Porfirogênito (século X). A história do império durante as quatro primeiras cruzadas foi escrita por Nicéforo Briênio, sua esposa Ana Comnena e João Cínamo; os períodos subseqüentes foram narrados por Jorge Acropolita (século XIII), Jorge Pachimeres, Nicéforo Gregoras e o imperador João VI Cantacuzeno. As lutas entre o império bizantino e o nascente poder dos turcos otomanos foram descritas por três historiadores: Laônico Calcocondiles, Ducas e Jorge Sfrantzes.As crônicas bizantinas, que reconstituem antigas obras perdidas, embora de pouco valor literário, são interessantes do ponto de vista lingüístico. Ao contrário das obras históricas, foram amplamente divulgadas, tanto no Ocidente quanto no Oriente. A mais antiga crônica da história universal é a de João Málagas (século VI). No século VII foi concluída a Chronicon Pascale. No fim do século VIII, Jorge o Sincero compilou uma crônica que começa com a criação do mundo e vai até o ano 284; foi continuada por Teófanes Confessor até 813. A crônica de João Scylitzes cobre o período de 811 a 1057. O florescimento da literatura no século XII refletiu-se na crônica: é dessa época a grande crônica universal de João Zonaras. Os estudos filosóficos do período bizantino, apesar dos esforços de Miguel Pselo, estiveram sempre sob a tutela da teologia.
Poesia secular

Há várias obras comparáveis aos poemas épicos da época alexandrina. No século VII, Jorge o Pisidiano descreveu as guerras do imperador Heráclio. Mais tarde, Teodósio (século X) imortalizou a tomada de Creta pelo imperador Nicéforo Focas. A forma dominante da poesia subjetiva desse período -- o epigrama - atingiu sua melhor fase nos séculos X e XI com as obras de João Geometres, Cristóvão de Mitilene e João Mauropo. Do século XII são as poesias de Teodoro Pródromo. Nos períodos subseqüentes surgiram composições eróticas, épicas, históricas, lendárias e também romances em verso no estilo ocidental.


Música
O canto litúrgico da igreja bizantina foi composto até o século XVI, mas em alguns mosteiros sobreviveu até o século XX. A maioria dos manuscritos preservados data dos séculos X ao XIX; existem alguns documentos dos séculos VII e IX. Em função dos dados obtidos pelos historiadores, supõe-se que as composições de caráter profano tenham sido freqüentes na Constantinopla medieval. No entanto, os únicos textos musicais bizantinos que conhecemos atualmente fazem parte dos rituais eclesiásticos cristãos, tanto orientais como ocidentais. O canto bizantino originou-se da liturgia sírio-palestina, herdeira das práticas musicais das sinagogas judaicas, não tendo, portanto, nenhuma vinculação com a música grega clássica. O mais antigo exemplo de música bizantina é o hino de Oxirrinco à Trindade, do século III. Há um grande número de formas melódicas, divididas em oito modos (Echos). Costumava-se cantar, em ciclos de oito semanas, um repertório de hinos em todos os modos, um para cada semana.Nos primeiros manuscritos musicais (século IX), a notação guiava os cantores de forma aproximada. Os sinais indicavam a ascensão ou descenso da melodia, fixavam as nuanças rítmicas e mostravam quais sons deviam ser acentuados, prolongados ou abreviados. Com a introdução de novos hinos, no século XI, alguns sinais foram acrescentados ou passaram a ser interpretados de maneira diferente. Entre os séculos XIII e XIV, foi aperfeiçoada a notação dos intervalos e grupos de notas.
Hinos
A mais antiga forma de hino é o troparion, estrofe curta inserida nos versos de um salmo.  Antimo e Tímocles foram os primeiros compositores de hinos. No século VI, Sofrônio, patriarca de Jerusalém (634-638), compôs dois ciclos. Nesse mesmo século, surgiu o kontakion, homilia poética que teve como maior cultor o sírio Romanos, autor do hino Akathistos para a festa da Anunciação. No final do século VII apareceu uma nova forma, o cânon, que, embora poeticamente inferior ao kontakion, alcançou tal perfeição que ainda hoje desempenha importante papel na liturgia. Os primeiros autores de cânon, André de Creta, João Damasceno e Cosmas de Jerusalém, vieram dos mosteiros de Jerusalém. Outros compositores dos séculos VIII e IX vieram do mosteiro Studios, de Constantinopla. Com a fundação, por são Nilo, do mosteiro de Grottaferrata, perto de Roma, o cânon floresceu por mais um século no sul da Itália e na Sicília.




Arquitetura
Na arquitetura bizantina, influências do mundo helênico, de um lado, e do oriental, de outro, produziram um estilo próprio, vigoroso e inconfundível. Como poucos edifícios seculares chegaram até os tempos modernos, o estudo da arquitetura bizantina fica praticamente restrito às construções religiosas. As primeiras igrejas seguem o plano das basílicas pagãs. Há variações mínimas, como a separação entre o altar utilizado pelo clero e o corpo principal da igreja, destinado a receber a comunidade de fiéis. A partir do século VI, em Ravenna principalmente, predominam as igrejas dotadas de cúpula; Santa Sofia (Hagia Sophia), em Istambul, é o melhor exemplo da arquitetura bizantina. A igreja, depois transformada em mesquita, foi construída por ordem de Justiniano entre 532 e 537. Nela se evidenciam os princípios fundamentais da arquitetura bizantina: massa contra massa, espaço contra espaço, abóbada contra abóbada. Externamente, Santa Sofia mostra apenas tijolos despidos de qualquer decoração, que formam blocos geométricos.
Ao plano longitudinal de Santa Sofia sucede o cruciforme da igreja dos Apóstolos, com cinco cúpulas. Essa igreja, destruída em 1463, serviu de modelo às de São Marcos, em Veneza (1063-1085) e Saint-Front, no Périgueux (século XIII). Todas as igrejas posteriores, embora de dimensões mais modestas, possuem plano cruciforme e várias cúpulas. São ainda manifestações da arquitetura bizantina no Ocidente a igreja palatina de Carlos Magno em Aix-la-Chapelle, a igreja de São Cataldo e a capela palatina de Palermo.





Postado por: Raphaela Sbampato
(pelo meu e-mail não consegui acessar agora, a senha dá errado, e por isso postei com o e-mail da sala, que o Fabrício nomeou-se, quando ele acessou.)

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